Teerã (Irã) – O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar após ser apontado como suspeito de colaborar com um suposto plano secreto articulado por Israel para enfraquecer o regime iraniano. A informação foi publicada nesta segunda-feira (13) pelo jornal norte-americano The New York Times e repercutida por diversos veículos internacionais. Até o momento, as autoridades iranianas não divulgaram confirmação oficial sobre o caso.
Segundo a reportagem, Ahmadinejad estaria sendo investigado por manter contatos que teriam favorecido interesses do serviço secreto israelense, o Mossad. O suposto plano envolveria uma estratégia de desestabilização política do atual regime iraniano e teria como objetivo aproveitar o distanciamento do ex-presidente em relação à cúpula da República Islâmica.
Ainda de acordo com o jornal, a prisão domiciliar teria sido determinada por integrantes da Guarda Revolucionária do Irã, responsável pela segurança do regime. As informações indicam que Ahmadinejad teria sido considerado um possível interlocutor para uma futura reorganização política do país, hipótese que aumentou a desconfiança das autoridades iranianas.
Caso ocorre em meio à crise política e militar
A notícia surge em um momento de forte instabilidade interna no Irã, marcado pelos desdobramentos do conflito envolvendo Israel e Estados Unidos, além de disputas pelo comando político do país após mudanças ocorridas na estrutura de poder iraniana ao longo deste ano.
Nos últimos meses, o governo iraniano intensificou operações de segurança contra suspeitos de espionagem e colaboração com Israel, realizando prisões e adotando medidas de repressão contra pessoas consideradas ameaças à segurança nacional.

Figura polêmica da política iraniana
Mahmoud Ahmadinejad governou o Irã entre 2005 e 2013 e ficou conhecido internacionalmente pelo discurso duro contra Israel e o Ocidente durante seu mandato. Após deixar a Presidência, passou a enfrentar sucessivos conflitos com setores do próprio regime iraniano, chegando a criticar decisões do sistema político e sendo impedido de disputar novas eleições presidenciais.
Caso as informações sejam confirmadas oficialmente, a investigação representará uma das maiores reviravoltas da política iraniana recente, envolvendo justamente um ex-presidente identificado durante anos como um dos principais símbolos da ala mais conservadora do país.
Conteúdo: Redação DNA Político, com informações de veículos internacionais.