quarta-feira, 2 setembro, 2026
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Brasil e EUA reabrem negociação sobre tarifaço após conversa entre Lula e Trump

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Brasília (DF) – Brasil e Estados Unidos reabriram oficialmente as negociações comerciais depois da imposição de novas tarifas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. Representantes dos dois países se reuniram virtualmente nesta segunda-feira (31) e decidiram manter as tratativas para buscar uma saída para o impasse.

A reunião teve a participação dos ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O encontro foi consequência direta da conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto. Na ocasião, Lula contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as novas barreiras comerciais, enquanto Trump sinalizou disposição para retomar as negociações.

Tarifas atingem produtos brasileiros

O impasse ganhou força em julho, quando os Estados Unidos estabeleceram uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Posteriormente, Washington aplicou outra tarifa adicional de 12,5%, relacionada à questão do trabalho forçado e estendida também a outras economias.

Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, as duas medidas combinadas alcançam 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Outros 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.

Entre os setores atingidos pela tarifa de 25% estão produtos de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e determinados equipamentos elétricos e produtos manufaturados.

Brasil contesta argumentos dos EUA

O governo brasileiro considera as medidas unilaterais e incompatíveis com as regras multilaterais de comércio.

Na reunião desta segunda-feira, Vieira e Elias Rosa reafirmaram ao governo norte-americano que o Brasil considera injusto e discriminatório o tratamento recebido e argumentaram que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não correspondem às práticas comerciais brasileiras.

A investigação norte-americana levantou questões relacionadas a temas como Pix, acesso ao mercado brasileiro de etanol, propriedade intelectual e questões ambientais.

O Brasil, por outro lado, sustenta que as medidas não encontram justificativa na relação comercial entre os dois países e lembra que os Estados Unidos historicamente mantêm superávit no comércio bilateral.

A retomada das negociações representa uma mudança no ambiente político entre Brasília e Washington.

Após a conversa entre Lula e Trump, o representante comercial norte-americano entrou em contato com o governo brasileiro para restabelecer formalmente as tratativas. Segundo o MDIC, o telefonema presidencial abriu um novo canal para buscar uma solução negociada.

A Reuters informou que os dois governos concordaram em realizar novas reuniões para avançar sobre as tarifas, embora o primeiro encontro não tenha produzido ainda um acordo para a retirada imediata das sobretaxas.

Esse ponto é importante: houve avanço diplomático, mas o tarifaço continua em vigor.

Próximos passos

Brasil e Estados Unidos concordaram agora em realizar reuniões técnicas nas próximas semanas. Posteriormente, haverá uma nova rodada em nível ministerial para avaliar o progresso das negociações.

Os encontros poderão ocorrer de maneira presencial ou virtual.

O governo brasileiro afirma que continuará buscando um acordo considerado equilibrado e benéfico para os dois países, mas mantendo a posição contrária às medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos.

Enquanto as negociações avançam, Brasília também adotou medidas para reduzir os prejuízos aos exportadores. Uma delas permite que empresas atingidas pelas tarifas norte-americanas solicitem a prorrogação, por até 12 meses, de determinados prazos relacionados ao regime de drawback.

O desfecho das conversas será acompanhado de perto pelo setor produtivo, especialmente pelas empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano. O desafio agora é transformar a reaproximação política entre Lula e Trump em um acordo comercial capaz de reduzir ou eliminar as barreiras impostas em julho.