Manaus (AM) – O deputado estadual Rozenha (PSD) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira (22/09) para denunciar o que classificou como uso da estrutura de segurança pública do Estado com finalidade eleitoral no município de Amaturá, no interior do Amazonas.
Segundo o parlamentar, os policiais militares Michael e Ivan, que atuavam havia mais de dez anos na cidade, foram transferidos “misteriosamente” para a capital, deixando o município sem plantão policial.
“Eu recebi a informação, na semana passada, que os únicos policiais que serviam o povo de Amaturá e de Apuí, de forma correta, foram misteriosamente transferidos para a capital após anos, algumas décadas de trabalhos oferecidos à comunidade”, afirmou Rozenha.
“Amaturá hoje virou, sem dúvida nenhuma, Sucupira, em que não há policial, não tem como ter plantão.”
Denúncia de motivação política
De acordo com o deputado, a movimentação dos policiais teria partido de uma indicação de um apoiador do governador Roberto Cidade (União Brasil), em represália ao fato de a prefeita de Amaturá, Nazaré Rocha, não declarar apoio à campanha do governador à reeleição.
“A informação, com aprofundamento, me chega que um apoiador do governador passou os nomes para que fosse feito alguma coisa e esses policiais fossem retirados da cidade, só porque a prefeita Nazaré Rocha não bate palminha para a campanha do governador Roberto Cidade”, disse.
O parlamentar também citou outros episódios que, segundo ele, seguiriam o mesmo padrão de represália política em municípios do interior, como o remanejamento de um servidor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e o corte de cargos comissionados de uma cozinheira e de um taifeiro, ambos associados por Rozenha à proximidade dessas pessoas com parlamentares de oposição ao governo.

Rozenha atribuiu a ordem de transferência dos policiais ao coronel Otávio, da Casa Militar do Governo, que anteriormente atuou como ajudante de ordens na Aleam.
“O coronel Otávio está mandando a polícia do Amazonas? Manda na Casa Militar, manda no comando-geral, manda tirar, colocar policiais? Que estado é esse? Que descontrole é esse?”, questionou o deputado da tribuna.
A denúncia ocorre a cerca de um mês das eleições estaduais de outubro. Roberto Cidade assumiu o comando do Estado em abril de 2026, após a renúncia do então governador Wilson Lima. Cidade foi eleito para concluir o mandato em votação indireta realizada pela própria Aleam, da qual era presidente à época. Rozenha fez questão de frisar esse ponto em seu discurso.
“Governador que foi eleito por essa casa, não pelo povo. Governador que é legítimo, sim, mas não tem a chancela popular.”
Conteúdo: Assessoria Dep. Rozenha
Fotos: Joedi Porto e ALEAM