A ciência ainda ocupa pouco espaço no debate eleitoral de 2026, apesar de aparecer na maioria dos programas apresentados pelos candidatos à Presidência da República. O alerta é da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que cobra maior protagonismo para Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) durante a campanha.
Levantamento feito pela entidade mostra que o tema aparece em 11 dos 12 planos de governo analisados, mas, em muitos casos, de forma genérica. Segundo a SBPC, faltam propostas mais detalhadas e, principalmente, definições sobre os recursos que seriam destinados ao setor.
A análise considerou os documentos registrados pelas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além de procurar referências diretas a ciência e pesquisa, a entidade avaliou propostas relacionadas a áreas como educação, meio ambiente e defesa.
Ciência como política de Estado
Para ampliar a discussão durante as eleições, a SBPC lançou em agosto o Observatório das Eleições 2026, iniciativa destinada a acompanhar compromissos assumidos por candidatos à Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
O projeto apresenta 117 propostas elaboradas pela comunidade científica, distribuídas em sete grandes eixos, envolvendo ciência e inovação, soberania tecnológica, sustentabilidade, clima, biodiversidade, educação, saúde, democracia e segurança pública.
Entre as principais bandeiras está a defesa da ciência como política permanente de Estado, com financiamento público previsível e de longo prazo. Para candidatos à Presidência e aos governos estaduais, a entidade também propõe que os investimentos em CT&I sejam protegidos de bloqueios orçamentários e que os futuros governos apresentem planejamento plurianual para o setor nos primeiros 180 dias de mandato.

129 candidaturas já aderiram
Em balanço divulgado no último dia 8, a SBPC informou que 129 candidaturas de 20 estados e do Distrito Federal já haviam aderido ao Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional.
A adesão prevê compromissos como respeito à autonomia das universidades e instituições públicas de pesquisa, decisões governamentais fundamentadas em evidências científicas e defesa de financiamento estável para ciência, tecnologia e inovação.
A entidade ressalta que o movimento não pretende apoiar uma candidatura específica, mas pressionar os diferentes grupos políticos para que ciência, educação, inovação e desenvolvimento tecnológico tenham espaço efetivo nas propostas apresentadas aos eleitores.
Conteúdo: Agência Brasil – edição DNA Político