Manaus (AM) – O debate sobre mudanças climáticas entrou de vez na campanha eleitoral de 2026 e expôs visões distintas sobre um dos maiores desafios das próximas décadas. Enquanto o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) relativizou o aquecimento global durante sabatina no Jornal Nacional, o candidato a deputado federal pelo Amazonas Delegado João Tayah (PT) apresenta uma proposta para transformar o enfrentamento ao calor extremo em política pública nacional.
Na entrevista exibida nesta sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro foi questionado sobre mudanças climáticas e sobre declarações anteriores nas quais tratava o debate sobre aquecimento global como um discurso “apocalíptico”. O candidato afirmou considerar os eventos climáticos “cíclicos” e, ao ser provocado sobre medidas para enfrentar o problema, apontou o saneamento básico como principal resposta.
A posição sobre a origem do aquecimento global contraria o consenso científico. Checagem publicada após a entrevista destacou que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) considera inequívoca a influência humana no aquecimento da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre, especialmente pelas emissões de gases de efeito estufa.
No Amazonas, estado situado no centro das discussões mundiais sobre clima e preservação da floresta, o delegado João Tayah pretende transformar justamente essa agenda em uma das bandeiras de sua candidatura à Câmara dos Deputados.
Candidato pelo PT, Tayah defende a criação da Política Nacional de Arborização Urbana e Resiliência Térmica, uma proposta destinada a preparar as cidades brasileiras para temperaturas cada vez mais elevadas e reduzir os efeitos das chamadas ilhas de calor.
A candidatura de João Victor Tayah Lima a deputado federal pelo Amazonas, com o nome de urna Delegado Tayah e número 1350, consta na relação de candidaturas de 2026.

Mudança climática sentida na rua
A proposta de Tayah parte de uma ideia simples: a discussão climática não deve ficar restrita às grandes conferências internacionais ou ao debate sobre preservação da floresta. Seus efeitos precisam ser enfrentados também no cotidiano das cidades.
Pelo projeto defendido pelo candidato, o Brasil passaria a estabelecer metas progressivas de cobertura arbórea, principalmente nas capitais e grandes centros urbanos, acompanhadas de planos permanentes de manutenção.
Isso significa que a política pública não terminaria no plantio de mudas. Municípios precisariam prever irrigação, poda, acompanhamento e reposição das árvores.
Outro eixo seria uma estratégia nacional de sombra urbana, com prioridade para locais de grande circulação e permanência de pessoas, como calçadas, escolas, unidades de saúde e paradas de ônibus.
A ideia é utilizar a arborização como infraestrutura urbana capaz de contribuir para a redução da temperatura e oferecer maior proteção à população exposta diariamente ao calor.
“Árvore não é decoração. É sombra, saúde, qualidade de vida e infraestrutura contra a mudança do clima”, afirma Tayah.

Prioridade para quem mais sofre com o calor
A proposta incorpora ainda um componente social. Em vez de distribuir investimentos de maneira uniforme, Tayah defende que os recursos sejam direcionados prioritariamente às regiões mais quentes e vulneráveis das cidades.
Na prática, o objetivo é relacionar política climática e desigualdade urbana.
Bairros com menor arborização e maior exposição ao calor receberiam prioridade na implantação das ações, enquanto municípios que atingissem as metas previstas poderiam receber incentivos federais.
No caso da Amazônia, Tayah defende ainda a utilização prioritária de espécies nativas, transformando a biodiversidade regional em parte da estratégia de adaptação das cidades às mudanças climáticas.

Da Amazônia para o debate nacional
O contraste político ganhou força justamente porque o Amazonas ocupa posição estratégica na agenda ambiental brasileira.
Enquanto o presidenciável do PL relativizou a influência humana sobre o aquecimento global durante uma das entrevistas de maior exposição da campanha presidencial, Tayah tenta colocar uma candidatura amazônida no debate nacional apresentando uma política concreta de adaptação climática.
A diferença também acompanha os campos políticos aos quais os dois candidatos pertencem. Tayah disputa uma cadeira na Câmara pelo PT e apoia o projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Flávio Bolsonaro representa o principal campo de oposição ao atual governo na eleição presidencial.
Mais do que uma discussão ideológica, porém, Tayah pretende trazer o tema para uma realidade conhecida de quem vive em Manaus: o calor sentido diariamente nas ruas, nos pontos de ônibus, nas escolas e nos bairros com pouca arborização.
Sua proposta procura transformar esse problema em uma agenda que envolve planejamento urbano, saúde pública, meio ambiente e justiça climática.
Em uma eleição na qual a Amazônia inevitavelmente ocupará espaço no debate nacional, Tayah busca se apresentar não apenas como candidato de um estado amazônico, mas como uma voz da própria região na formulação das políticas climáticas brasileiras.
A mensagem política que sua campanha pretende levar a Brasília é direta: para quem vive na Amazônia, mudança climática não é uma discussão abstrata sobre o futuro. É uma realidade que já chegou às cidades – e exige políticas públicas agora.
Conteúdo: Assessoria Delegado João Tayah – Edição DNA Político
Fotos: Divulgação e Arquivo/Secom/Alex Pazuello