Rio de Janeiro (RJ) – A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (15/10), o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), aliado político do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ligações com organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Presidente estadual do União Brasil, Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio nas eleições de 4 de outubro, com 197.178 votos. Ele chegou a ser pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro, mas desistiu da disputa após se tornar alvo de uma operação da PF em julho.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o esquema suspeito movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os presos também está Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, além de quatro inspetores da corporação.

Ligação política com Flávio Bolsonaro
Márcio Canella integrava a articulação eleitoral de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Antes de abandonar a pré-candidatura ao Senado, o político tinha como possível primeira suplente Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em julho, Canella já havia sido preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil em seu veículo durante outra fase da Operação Unha e Carne. Posteriormente, Alexandre de Moraes revogou as medidas cautelares, após informações da Polícia Militar indicarem que a arma pertencia a um policial responsável pela escolta do político.
A nova prisão está relacionada à investigação sobre a suposta estrutura de lavagem de dinheiro e outros vínculos criminosos apurados pela Polícia Federal.
Investigação envolve policiais e postos de combustíveis
Além de Canella e Marcus Amim, a operação atingiu policiais civis suspeitos de participação no esquema. Os investigadores apuram a utilização de empresas e pessoas interpostas para movimentar recursos de origem ilícita.
A Polícia Federal também investiga possíveis relações de Canella com integrantes do Comando Vermelho e pessoas ligadas a milícias na Baixada Fluminense. Essas suspeitas ainda dependem de apuração e não representam condenação judicial.
Procurada pela imprensa, a assessoria de Márcio Canella informou que ainda não havia tido acesso aos autos do processo.
Redação DNA Político
Com informações da Revista Fórum e do UOL.