quarta-feira, 28 outubro, 2026
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Jatinho usado por Flávio Bolsonaro tem ligação comercial com empresário acusado de narcotráfico nos EUA

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O jatinho utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos está no centro de uma controvérsia envolvendo empresários argentinos, investigações financeiras e conexões comerciais com Federico Andrés Machado, conhecido como “Fred Machado”, acusado de envolvimento com narcotráfico nos Estados Unidos.

Segundo reportagem investigativa publicada pela Revista Fórum nesta quarta-feira (28), a aeronave pertence à frota da Baires Fly, empresa argentina de aviação executiva. Um dos intermediários comerciais ligados à companhia, Sergio Daniel Mastropietro, manteve relações empresariais com Machado e é investigado na Argentina por suspeitas de lavagem de dinheiro e associação ilícita.

A revelação acrescenta um novo elemento à repercussão da viagem internacional de Flávio Bolsonaro, que, segundo reportagens publicadas nesta semana, deixou o país após a derrota nas eleições presidenciais de 2026.

O jatinho não pertence diretamente a Fred Machado

A conexão identificada pelas reportagens exige uma distinção importante: não há comprovação de que o avião utilizado por Flávio Bolsonaro pertença diretamente a Fred Machado.

A aeronave é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, associada à empresa Baires Fly. O elo com Machado passa por Sergio Daniel Mastropietro, empresário que atuou como intermediário no mercado de aviação e manteve relações comerciais com o argentino.

De acordo com a investigação da Revista Fórum, documentos judiciais e registros públicos argentinos e norte-americanos foram utilizados para identificar essas conexões.

A existência desses vínculos comerciais, porém, não comprova que Machado tenha participado da contratação do voo utilizado pelo senador. Também não há evidências apresentadas nas reportagens de que Flávio tenha envolvimento com as atividades criminosas atribuídas ao empresário.

Quem é Fred Machado

Federico Andrés Machado ganhou notoriedade na Argentina após ser acusado de participar de uma estrutura internacional envolvendo tráfico de cocaína, lavagem de dinheiro e operações fraudulentas relacionadas à compra e venda de aeronaves.

Em reportagem publicada em 2021, o portal argentino Infobae detalhou as acusações contra Machado e a investigação conduzida pelas autoridades. Segundo a publicação, o empresário era suspeito de utilizar operações envolvendo aviões e transações financeiras em atividades criminosas internacionais.

O caso chamou atenção também por suas conexões com o setor político argentino. Machado transferiu US$ 200 mil ao economista e político José Luis Espert, episódio que provocou repercussão pública. Espert reconheceu o recebimento do dinheiro, mas afirmou desconhecer os crimes atribuídos ao empresário.

Em agosto de 2026, segundo reportagem do BPmoney, Machado admitiu crimes financeiros nos Estados Unidos por meio de um acordo judicial que afastou a acusação relacionada ao tráfico de drogas. O histórico do caso deve, portanto, ser descrito à luz dos desdobramentos judiciais mais recentes, sem tratar todas as acusações anteriores como condenações definitivas.

Empresa também aparece em investigação na Argentina

A Baires Fly também foi mencionada em reportagens sobre uma investigação envolvendo suspeitas de irregularidades na Agência Nacional de Deficiência da Argentina (ANDIS), órgão do governo de Javier Milei.

Segundo a Revista Fórum e o portal ICL Notícias, a apuração investiga suspeitas de desvios de recursos e lavagem de dinheiro relacionados a contratos públicos destinados a pessoas com deficiência.

Mastropietro aparece entre os empresários investigados no caso. A Baires Fly, por sua vez, foi citada no contexto das relações comerciais examinadas pelas reportagens.

A companhia também tem conexões com o meio político argentino. Seu proprietário, Luis Grande, pilotou uma aeronave utilizada por Javier Milei em uma viagem aos Estados Unidos, em novembro de 2023, conforme noticiado por veículos brasileiros.

A presença da empresa nessa investigação não significa, por si só, que seus proprietários ou funcionários tenham cometido os crimes investigados. As suspeitas precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes.

Viagem de Flávio Bolsonaro aumenta a repercussão

A aeronave ganhou destaque depois que Flávio Bolsonaro foi apontado como passageiro de um voo privado que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, com destino declarado a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.

Segundo a Revista Fórum, informações da Direção Nacional de Migrações argentina indicaram que o senador viajou acompanhado da mulher e das duas filhas. O embarque teria ocorrido na noite de terça-feira (27), com decolagem na madrugada de quarta-feira (28).

O episódio provocou questionamentos sobre as circunstâncias da saída do parlamentar do Brasil e a logística utilizada para a viagem.

A Reuters, em reportagem reproduzida pela Agência Brasil, informou que Flávio deixou o país após a derrota eleitoral e descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

As circunstâncias jurídicas da viagem e a situação dos passaportes devem ser analisadas separadamente das relações comerciais envolvendo a aeronave.

O que está documentado e o que ainda precisa ser esclarecido

As reportagens publicadas em 28 de outubro identificam três elementos centrais: a associação do jato à Baires Fly, os vínculos comerciais entre Mastropietro e Fred Machado e a presença da companhia no contexto de uma investigação argentina sobre suspeitas de corrupção.

O que não está comprovado é que o avião utilizado por Flávio Bolsonaro pertencesse diretamente a Machado, que o empresário tenha organizado o voo ou que o senador tenha participado de atividades relacionadas ao narcotráfico.

A conexão comercial, entretanto, levanta questões sobre os intermediários envolvidos na operação e sobre os procedimentos utilizados para contratar a aeronave.

A apuração dos fatos depende da análise dos registros da aeronave, dos contratos de fretamento, dos pagamentos e de eventuais documentos que identifiquem os responsáveis pela contratação do serviço.

Até que esses elementos sejam esclarecidos, a ligação comercial entre os envolvidos deve ser tratada como uma informação relevante para a investigação jornalística, e não como prova de participação em crimes.

Fontes: Revista Fórum, ICL Notícias, Infobae, BP Money e Agência Brasil, com edição do portal DNA Político